Surf Online

Para onde caminha o nosso esporte?

Cemitério de pranchas. Foto: Spencer Murphy

Por: Dadá Souza

O surf é um dos esportes náuticos mais praticados no Brasil (e no mundo) e um dos esportes radicais de maior visibilidade. Como mercado, o surf movimenta bilhões de dólares e possui circuitos profissionais e amadores e um grande número de atletas amadores e profissionais que vivem exclusivamente desse esporte. São atletas, juízes, fotógrafos, filmmakers, organizadores de eventos, empresários, fabricantes, comerciantes, representantes, todos apaixonados pelo esporte e que fazem parte de uma imensa indústria.

Nunca antes o surf brasileiro esteve tão na moda. Nomes como Adriano de Souza, Gabriel Medina, Miguel Pupo, Filipe Toledo, Alejo Muniz e Raoni Monteiro são destaque no surf mundial e atletas de ponta no WCT.  O Gabriel Medina e o Adriano de Souza são atletas que fazem parte de uma elite dentro da elite do circuito mundial  e são esportistas com grande destaque nas mídias impressas, eletrônicas e televisivas. São atletas que levaram o surf brasileiro a um patamar nunca antes alcançado. Mais do que isso, o brasileiro Gabriel Medina é o líder do ranking mundial e considerado o grande favorito ao título mundial de 2014. Ironicamente, o surf nacional passa por seu pior momento em termos de mercado e de estrutura. Amadorismo na gestão das entidades e dos circuitos, a falta de interesse e de investimento por parte das marcas e muitas pessoas utilizando as federações para uso exclusivo de seus interesses particulares são algumas das principais causas do problema.

Em termos de estrutura competitiva, o Brasil já teve um dos circuitos profissionais mais bem pagos do mundo e etapas com grande público e visibilidade. Hoje, depois de viver o melhor dos mundos em termos de circuito, o surfe brasileiro faliu, morreu. Não temos mais um circuito brasileiro profissional e não temos muitos dos antigos circuitos regionais. Nossos atletas praticamente não tem mais eventos ou premiações que os sustentem, nossa mídia especializada praticamente abandonou o esporte e as marcas e lojas se esquivam dos patrocínios como que o diabo foge da cruz. Sem eventos, sem patrocínio e sem retorno, não há jeito do esporte sobreviver. Hoje falta investimento e patrocínio e falta gente com credibilidade para administrar o esporte. Só falta a pá de cal.

Muita gente que faz parte da história do surf levanta uma questão importante: existem federações que foram transformadas em um negócio privado por seus presidentes. Não existem assembléias, nem prestação de contas, muito menos novas eleições. E isso tem acontecido de norte a sul do país. Sem uma gestão profissional e com dirigentes amadores e gananciosos, que visam somente seus interesses particulares, a maioria dessas entidades se transformou em empresa privada disfarçada de federação. O mesmo parece acontecer com as associações afiliadas. Quem está no poder não faz pelo esporte e nem larga a boquinha. Transparência e prestação de contas são conceitos que alguns dos  cartolas do surf parecem desconhecer.

Para onde vai o dinheiro das inscrições? Porque quase não acontecem novas eleições nas federações e associações? Por que não existem prestações de contas? Por que sempre as mesmas panelinhas controlam o surf nacional há décadas? Não deveria haver uma entidade idônea cobrando resultados e prestações de conta das Federações e Associações de surf? Por quantas vezes um dirigente de federação ou associação pode se reeleger? Quantas entidades de fato respeitam os estatutos vigentes? Quantas entidades dão algum apoio efetivo para seus atletas? De que lado está a imprensa especializada? São muitas as perguntas e poucas as respostas.

O surf, antes um esporte livre, rebelde e de contracultura, parece que vai aos poucos seguindo o modelo tão criticado da CBF: vive mamando nas tetas do governo e muitos de seus dirigentes administram em causa própria. Sem uma fiscalização e sem prestações de contas verdadeiras, a maioria dos “cartolas” do surf nacional usam as  entidades para seu próprio benefício.

Viver de verbas públicas tem sido a principal estratégia das federações. Em vez de conquistar respeito e credibilidade ou de criar parcerias com empresas privadas, hoje os dirigentes querem o caminho fácil das verbas públicas. E verdade seja dita, se não fossem os governos estaduais e municipais, há mais de 10 anos não teríamos um único evento importante em nossas praias. As marcas malandramente se esquivam de patrocinar alegando problemas financeiros e a crise do esporte.

Em um post do Sérgio Gadelha (Head Judge da ASp e diretor de prova) que causou polêmica no facebook, Juca de Barros ainda alertou: Em 2013 foi sancionada uma lei que proíbe a reeleição dos dirigentes de entidades que constituem o sistema nacional de desporto, que só podem ser reconduzidas por mais um período e depois não podem mais ser eleitos, nem seus familiares. Mas será que isso acontece? 

Existe uma necessidade latente de que o surf brasileiro seja reciclado, renovado e profissionalizado. Mas para haver tamanha mudança, é preciso ação e cumprimento das leis. É preciso que as denúncias sejam encaminhadas e que auditorias sejam feitas em todas as entidades. Só com as laranjas podres sendo retiradas do cesto é que o esporte poderá novamente crescer. Só com pessoas comprometidas e preparadas é que o esporte pode mudar e evoluir. Mas para isso, é preciso também que os atletas se unam, que sejam mais inteligentes e que façam valer seus direitos, afinal são eles os primeiros interessados e os primeiros prejudicados com esse atual sistema, viciado em verbas estatais e com muito pouco comprometimento com o esporte e com os atletas. Enquanto continuar essa privatização das entidades esportivas, enquanto dirigentes trabalharem em benefício próprio e não do esporte, enquanto não houver uma renovação de dirigentes, juízes e equipe técnica, enquanto as associações não participarem do conselho das federações, enquanto não houver transparência e prestação de contas, o surf, como esporte, continuará sem credibilidade, sem um retorno justo para com os atletas e caminhando a passos largos para o fundo do poço e rumo à falência do esporte.

Luis ‘Pinga” Campos, empresário de atletas e profissional de marketing, recentemente fez um comentário com um grande conhecimento de causa; “Ao meu ver e uma questão de gestão esportiva, coisa que não vem acontecendo. Estão tratando de forma amadora e pessoal. Devemos reunir um grupo de pessoas que realmente tem o interesse que a coisa melhore em um aspecto geral. Com base no esporte, mas que melhore o mercado em um todo, pois com as entidades estruturadas, seguindo a cadeia de associações fortes, Federações Fortes e Confederação / LIGA forte, todo o mercado se fortalece, passando credibilidade e assim atraindo investimentos do próprio mercado de empresas de grande porte. Temos que ter em mente que estamos passando por um momento de crise de identidade, precisamos resgatar a identidade e colocar a direção do esporte e mercado no trilho novamente, ai sim melhora para todos, mas e preciso realmente vontade entrega e feeling.”

Bira Schauffert, organizador de eventos, empresário de atletas e responsável pelo grupo SalvaSurf, vive do surf há exatos 30 anos. Segundo ele, um dos maiores problemas está exatamente no nível das pessoas que estão envolvidas na direção de algumas entidades que organizam o esporte, que não tem preparo para representar nosso esporte! Ele também cita a falta de transparência, que deixa o surf como um esporte com menos expressão. “Tivemos grandes momentos, períodos muito importantes no surf nacional amador e também profissional e hoje vivemos talvez o pior momento do nosso esporte em nível de Brasil. Vivemos o melhor momento da historia de alguns atletas brasileiros no WCT, mas isso não reflete no surf nacional, essas conquistas da nova geração não geram uma melhor estrutura do surf no Brasil. A base para formar novos talentos está comprometida por conta da desorganização das entidades nacionais”. Ainda segundo Bira Schauffert, “é necessário uma renovação completa de pessoas e uma mudança nos parâmetros até aqui estabelecidos. Mudanças de regras e nos formatos de competições e uma gestão mais profissional, que deixe para trás os vícios do passado, que hoje não se enquadram mais na gestão do esporte.” “Temos totais condições de criar uma nova fase para transpor esse momento delicado que estamos passando. Não tenho dúvida que nossos maiores obstáculos estão na gestão do nosso esporte. A surfwear tornou-se cara e perdeu muitas vendas ao longo dos anos e o consumidor final perdeu o interesse por essas marcas. Talvez a surfwear precise reciclar suas idéias, tendências, valores , etc…” finaliza Bira.

Jordão Bailo Junior, diretor técnico da Confederação Brasileira de Surf e profissional envolvido com grandes eventos nacionais e internacionais, comentou que a atual fase do surf, como esporte, passa por uma conjunção de elementos, que depende da situação política, econômica e social do país e de seus estados e municípios. “Sabemos que a situação no país é a pior possível em termos de investimento do poder publico em qualquer esporte que não seja o futebol. Dependemos de veículos específicos como a TV fechada e de publicações especializadas, mas sabemos que não é daí que vem o dinheiro que financiaria o esporte. E quando o poder publico realmente investe no surf, é com quem já não precisa, ou seja, com os profissionais do circuito mundial. Gasta-se alguns milhões de reais para se trazer os gringos para o Brasil (o que é legal), mas não se gasta um décimo disso na formação de atletas na base e nos rankings regionais e nacionais. Também não se admite a valorização das pessoas que dedicam suas vidas a esse esporte. O que geralmente fazemos quando nos tornamos dirigentes de surf é gastar aquilo que não temos procurando ganhar aquilo que os outros pensam que ganhamos. Esses são alguns dos problemas conjunturais e sociais que precisam passar aqueles que vivem (tentam) do surf.”

Outro ponto importante que Jordão Bailo levanta é que a livre iniciativa, que paga impostos altíssimos, não tem excedente para investir no esporte, esse dinheiro se concentra no poder publico que o distribui de acordo com os seus interesses, e o surf não é um deles. “As associações, federações e Confederação não tem como investir em estrutura. Quase nenhuma delas tem dinheiro para simplesmente ter um escritório com telefone, internet e funcionários (o que é o mínimo para se trabalhar). Quantas associações tem um timer, palanque, computação? Quando tem disponível, é particular. Quem tem dinheiro hoje para viajar o Brasil inteiro com uma equipe de surf com 15, 20 componentes? “ “Solução? Sim, ela existe, mas depende hoje mais da união das forças daqueles que mais se preocupam em derrubar os outros do que qualquer outra coisa. Não perceberam que estão todos no mesmo barco, estão todos sem dinheiro e com a perspectiva de ver seus negócios perecerem. Ou sentam todos a mesa, cada um com suas crenças e convicções do que pode dar certo e se chegar a um acordo que viabilize um futuro para nosso esporte, ou continuaremos vendo pessoas que poderiam ser bons amigos na vida se xingando e brigando pelas migalhas, causadas pela divisão que eles mesmo causam.”

Virgílio Panzini de Matos já foi presidente da Federação Gaúcha de Surf, foi diretor da ABRASA e tem décadas de envolvimento direto com o esporte.  Virgílio fez uma abordagem mais histórica e comentou que na época da  ABRASA o surf era apenas diversão no Brasil, não fazia parte do Sistema de Desporto Brasileiro, não tinha regras padronizadas nem número e registro de atletas. Só com o com o título mundial de Fabinho Gouveia, em 1988, depois de pressionar o Conselho Nacional de Desportos é que o surf foi legalizado e o Perdigão, foi o primeiro presidente da Entidade e depois disso o Marcos Conde criou a CBS. “Tudo isso no tal estatuto sem fins lucrativos, uma mentira brasileira. Você e seu grupo trabalhavam que nem cavalo e tinham que inventar despesas, para justificar o pro labore justo (?). No final dos anos 90 surgiu a Lei Pelé, que regulamenta os Clubes de Futebol como Clube Empresa, ou seja, seus Diretores podiam (e deviam) ser remunerados. Só que o surfe ficou a margem disso. Ninguém levantou essa bandeira, nem mudaram o estatuto das entidades. Ficaram todos nessa mentira do sem fins lucrativos, isentos de pagar impostos. Ficou esse vazio administrativo. Quem possuía mais experiência se afastou e a boa gestão se perdeu.. Precisamos mudar as regras das entidades para que estas trabalhem em prol do desenvolvimento do esporte e para que seus dirigentes também tenham a sua fatia do bolo.”

“Nossa base está caótica, discuti isso no FESTIVALMA em São Paulo com o Avelino Bastos e o Neco Carbone. Deveríamos criar um Simpósio para debater tudo isso. Surf, competição, entidades, fabricação de equipamentos, regulamentação das profissões envolvidas, tudo isso. Nos Estados Unidos existe a SIMA, que regulamenta todos os boardsports, na Europa existe a EUROSIMA. Se não formalizar, não há como dar certo. Nossa cadeia produtiva só privilegia as grandes confecções, os tubarões do mercado que sugam a imagem do surf, mas que não pagam nenhum imposto a nenhuma entidade.” comentou Virgílio Matos.

Marcelo Andrade, ex presidente da ABRASP e organizador de diversas etapas do circuito brasileiro de surf profissional, também fez a sua análise. “A estrutura do surf brasileiro não está ruim, de forma nenhuma. Não acho que a divisão do gerenciamento do amador e do profissional também seja ruim, porque facilita no processo de organização de cada categoria. O que muitos questionam é como está sendo administrado cada entidade ( associações, federações ,etc).  As pessoas que fazem parte das entidades tem que cobrar uma administração séria e transparente. Se todas as entidades conseguissem fazer a sua parte de forma correta, ninguém questionaria nada e o esporte estaria em outro patamar. O que falta é uma unidade no pensamento e nas ações. As entidades trabalham como se fossem concorrentes.” Quanto ao futuro do surf e a evolução do esporte, Marcelo Andrade comentou “Primeiros as mídias especializadas deveriam mudar sua forma de cobrir as competições. Nenhum empresário quer apoiar atletas ou eventos porque sabem que terão pouco retorno. Os empresários das revistas e sites acham que o dinheiro que vai para eventos e atletas podem tirar anúncios da empresa e pensam pequeno. Não observam que isso faz parte de uma engrenagem que está parando por falta de lubrificação.  É um processo de médio e longo prazo que não estão enxergando.” “As entidades deveriam se unir para criar um projeto consistente para o surf nacional. Existe um isolamento das entidades que acham que são concorrentes para fechar seus eventos com as marcas do segmento. ASP, ABRASP e CBS tem um distanciamento gigantesco quando deveriam unir forças para seguir em frente neste momento de crise. Porém a forma de trabalho é totalmente separada e concorrente. Penso que os formatos deveriam ser repensados. O produto surf não está agradando e se não fosse o dinheiro público não teríamos nenhum evento de grande porte no Brasil.”

Outras pessoas que fazem parte da gestão do esporte e/ou da história do surf foram convidadas a participar do debate, mas não se manifestaram.

O que pude notar  é que existe uma grande quantidade de pessoas que amam e vivem do surf e que querem mudar essa triste realidade que o nosso esporte atravessa. Por outro lado existe um grupo também grande de pessoas que fecham hermeticamente em suas entidades morrendo de medo de perder a teta onde mamam às custas de todo um esporte. Claro que um possível título mundial do Gabriel Medina pode (pelo menos teoricamente) dar uma bela turbinada em nosso esporte e atrair mais investimentos, aumentar as vendas e fomentar o esporte entre as crianças. A grande quantidade de matérias sobre o Medina na TV e em todas as mídias e o exemplo da carreira bem sucedida dos nossos principais atletas, associados e diversos outros fatores irão de fato contribuir para o crescimento do surf. Mas crescer de um jeito desordenado, perder a alma e a cultura do esporte e continuar dando dinheiro para pessoas sem preparo que mais sugam do que contribuem com o surf, é algo que preocupa muito quem vive do esporte.

O talento de Gabriel Medina e um possível título mundial para o Brasil são fatores que podem mudar esse cenário. Foto; Dadá Souza

O talento de Gabriel Medina e um possível título mundial para o Brasil são fatores que podem mudar esse cenário. Foto; Dadá Souza

Aqui foram publicadas algumas das visões e pontos de vista e algumas opiniões de quem trabalha com o esporte. Quem quiser colaborar enviando críticas, idéias visões ou simplesmente contrapor as visões aqui apresentadas, o espaço está aberto. Se tem uma coisa de que nosso esporte realmente precisa, é de discussões sadias, de novas idéias e de uma gestão mais profissional. O espaço está aberto.

A imagem que ilustra essa matéria é de  Spencer Murphy.

20 comentários

  1. Marciano Chaves

    29 de setembro de 2014 at 10:34

    Estamos passando pelo pior momento do comércio da história , consumidor formador de opinião não estão mais visitando as lojas de surf e tão menos consumindo as marcas que apoiavam o nosso esporte e o pior as Marcas que se dizem dominar o mercado não estão nem ai para os logistas , não apoiam e simplesmente abandonam os parceiros que fizerem o mercado de moda surf acontecer , estamos todos sem direção , levando os caldos mais sinistro da história do comércio S.O.S aos nossos Campeonatos , temos o maior litoral do mundo o segundo maior mercado consumidor do planeta estamos perto de termos o nosso Primeiro Campeão Mundial de Surf Profissional e estamos abandonados…Aloha Paijo Surf Adventure

    • diniz iozzi

      29 de setembro de 2014 at 12:31

      a abordagem esta errada na tentativa de explicar;
      deveria ter a visao do marketing; por que o produto surf/campeonatos no Brasil nao interessam mais ao publico e ao mercado ???
      as bases/iniciantes do esporte sao fortes e solidas mas o surfista precisa ser mais do q somente surfista em cima da prancha o intelecto tem de ser influenciado a expandir para entender as mudancas do mundo, e do mercado
      Quanto as associacoes, federacoes e outras; o Povo tem q participar e fiscalizar, pois quando tem reuniao todos vao surfar e ficam reclamando das decisoes ou indecisoes tomadas.
      A Solucao e iniciar a mudanca de atitude em cada cidade em cada associacao ou clube, nos ja iniciamos a nossa mudanca a 10 anos em SANTOS, contas aprovadas, conselheiros cientes e diretorias executivas de Voluntarios do municipio; isso nao significa q criaremos campeoes no surf ! talvez melhores cidadaos !

      • Dadá Nascimento

        29 de setembro de 2014 at 14:11

        Concordo plenamente com o cometário do Pardal, acima…e discordo em muito com o texto, a meu ver direcionado a criticar apenas uma parte do nosso esporte, no caso as entidades de surf. Adoraria que um “Sassa Mutema” (Salvador da Pátria) que escreveu e pensa assim, colocasse um projeto em baixo do braço e fosse vender um evento de surf… É enxergar muito pequeno, não associar as várias perdas de patrocínios, como Petrobrás, entre outros, a Copa do Mundo, as Olimpíadas, etc… Fosse a base do estado de SP, tão maltratada assim e não teríamos tantos jovens talentos do estado encantando o mundo !!! Um Filipe Toledo, por exemplo, competiu desde o nosso, Circuito Paulista de Escolas de Surf !!!! Nada é por acaso…

        • dada

          29 de setembro de 2014 at 15:36

          Dadá Nascimento, eu concordo com muita coisa que o Pardhal diz e disse aqui em cima e o respeito muito. Principalmente em relação a muitos dos atletas e projetos não serem assim tão bons “produtos” de marketing. E sei bem que algumas entidades são bem organizadas e ativas, mas essa não é a regra geral. O Brasil não é só São Paulo, meu caro. Conheço o seu trabalho como promotor de eventos e com a Associação de surf da Grande São Paulo e o admiro por isso. Como você disse, é claro e nítido que os frutos da federação Paulista (e também da Catarinense) estão aí para que todos possam ver. Mas quando resolvi publicar essa matéria hoje, que é uma compilação de observações e opiniões de algumas pessoas envolvidas com o esporte, eu só tinha certeza de uma coisa, que os envolvidos com as federações seriam os primeiros a reclamar. Mas respeito e entendo o seu ponto de vista, apesar de discordar que é só por causa das Olimpíadas e da Copa do Mundo que o surf perdeu força, patrocínios e parcerias importantes. Isso sim é enxergar pequeno. Mas enfim, tanto respeito sua opinião que a publico aqui. Mas quero lembrar a você que essa matéria não fala só das associações, fala da necessidade de reorganizar o esporte que muitas vezes é sim muito amador e desorganizado. Aliás, não vejo outras pessoas falando bem da atual situação do surf brasileiro a não ser os super talentos do espote, os representantes das grandes marcas e dos presidentes das entidades. E Dadá, eu não preciso me justificar, mas só para não passar aqui por sassá mutema, eu gostaria de dizer a você que tenho vários anos de experiência com a publicidade e com o marketing esportivo, que já participei da criação e execução de diversos projetos e eventos esportivos e que você pode acreditar que eu sei da (enorme) dificuldade de vender um projeto de surf. Assim como eu também conheço e entendo o lado e os argumentos das muitas empresas que contatei e que não querem mais investir em projetos de pessoas/entidades mal preparadas, marrentas ou mal intencionadas. Como você disse, nada é por acaso.

      • JOCA

        29 de setembro de 2014 at 19:05

        NA MINHA HUMILDE OPINIAO O SURF COMPETIÇAO PASSOU POR UMA TRANSIÇAO MUITO RAPIDA A ATENÇAO DO PUBLICO DE REPENTE DEVIDO A EXELENTE PERFORMANCE DOS ATLETAS BRASILEIROS NO CIRCUITO MUNDIAL SE VOLTOU TOTALMENTE PARA O WCT E OS DIRIGENTES AO INVES DE APROVEITAR O BOM MOMENTO DO BRASIL NO WCT FICARAM ESPERANDO CAIR PATROCINIO NO COLO DELES O QUE E OBVIO NAO ACONTECEU.EM UMA COISA EU CONCORDO NO BRASIL O SURF ESTA PRECISANDO DE SANGUE NOVO GENTE COM VONTADE TEM QUE REVER TUDO DE NOVO SEMPRE VAI HAVER EMPRESARIOS QUERENDO PATROCINAR EVENTOS DE SURF ESPECIALMENTE AGORA DEPENDE DE COMO ISSO VAI SER APRESENTADO A ELES COM PROJETOS SOLIDOS E COM GARANTIA DE RETORNO QUE A GENTE SABE QUE O SURF DA E COMO TIRAR PIRULITO DE CRIANÇA E SO TIRAR O POPOZAO DO SOFA E ERREGAÇAR AS MANGAS QUE COM CERTEZA ESSA SITUAÇAO SE REVERTE INCLUSIVE COM REMUNERAÇAO DESCENTE PARA OS DIRIGENTES..A UNICA COISA QUE CAI DO CEU E CHUVA……..

      • Ciclotron Irajá

        29 de setembro de 2014 at 19:59

        Concordo, precisamos criar pensadores. O surf atingiu um outro grau de percepção de acordo com suas novas manobras. Aquele surfista alienado que só pensava em onda e praia perdeu espaço para um surfista atuante com ideias progressivas tal qual as manobras e foi Slater quem deu essa salto quântico ao esporte. O corpo não pode voar e girar 360º sem que a sua cabeça vá junto!

  2. Cleber Guilherme

    29 de setembro de 2014 at 13:46

    dar as costas a algumas pessoas pode resultar em coisas que no futuro esse esporte Radical e encantador perca o Glamour .
    me refiro ao que acontece quando uma Empresa deixa patrocinar alguém pela Idade esquecendo muitas vezes a Raiz desse atleta para Investir na geração cangapé .
    cangapé é uma Geração que visa surfar no Ar e não na linha da Onda ! fica Claro que Medina é um dos melhores Surfistas do mundo ! mais dai a ser campeão mundial pode ser perigoso pelo fato de sabermos mesmo sem ser Americano que Slater tem anos luz de experiencia em ondas oceânicas e isso ficou claro no camp de Tahiti .
    se vcs olharem as ondas que o Slater pegava eram oceânicas e Gabriel apesar de surfar bem as ondas pegava ! elas eram ondas de ondulações e existe uma diferença grande quando se entende de onda .
    bem o fato é que poderíamos treinar ele mais para poder querer um titulo real mundial que no futuro não deixasse ele mal acostumado .
    quando ao Brasil ! acredito que muitas marcas perderam o gosto por saber o que o verdadeiro campeão mundial pertencia ao Brasil ! me refiro a mim mesmo pois sei que seria o único a enfrentar Slater e os demais de igual p igual em relação a surfar ondas oceânicas como se estivesse em casa surfando Pipe , Tahiti dentre outros onda vejo a diferença absurda em relações a outros atletas .
    gostaria de ver menas hipocrisia no surf e nos responsáveis chamados de olheiros de grandes marcas .
    a elite mundial caiu de produção a muitos anos ! quando todos botavam pra dentro em Pipe como se estivessem em casa .

  3. Marco Gorayeb

    29 de setembro de 2014 at 15:21

    Esse e um quadro resultante da desuniao, da ma gestao e da falta de compromisso de muitos sangue sugas que passarm anos e passam ainda sugando o esporte…o trabalho foi feito mas foi feito em cima da discordia, rixas e panelas ai deu no que deu…agora e assistir e torcer pra esses novos valores levantarem a bola de novo e recomeçar uma nova era

  4. Roseli costa

    29 de setembro de 2014 at 18:56

    ” sou apenas amante do surf, posso não entender muito do assunto,mas se Gabriel for campeão, acho que essa historia vai mudar de figura, torço pr que isto aconteça, pq realamente, tem varios talentos espalhados pelo Brasil afora, e esses meninos ,sem nenhum incentivo ou apoio, definitivamente, não somos o país somente do futebol! :)

  5. Geraldo Bartres

    29 de setembro de 2014 at 20:41

    Concordo plenamente com o texto da matéria, mas acredito que uma mudança no panorama atual está muito longe de acontecer. Se o Gabriel Medina for campeão mundial, acho que a única mudança no cenário do surf nacional será o aumento do Crowd no line-up, pois o surf vai se tornar mais popular, com todo o ataque que as mídias vão dar em cima desse acontecimento. Minha opinião é que o surf somente irá se consolidar como esporte organizado quando for criado um órgão federal que num primeiro momento oficialize e tome para si os direitos de ditar regras sobre a organização do esporte. Não que concorde inteiramente com isso, mas somente com uma postura mais direcionada é que se poderia preparar uma estrutura para que o surf como esporte saia desse estado atual de situação.

  6. Carlos Augusto de Moraes

    29 de setembro de 2014 at 21:12

    Surfonline, parabéns pela publicação, mexeu bem com esse tema geral e na hora certa. O esporte, o surf é um objetivo nobre em nossas vidas, e agora, principalmente pelos resultados de Medina, despertamos a necessidade de uma melhor organização em todos os segmentos do surf; surfistas profissionais, amadores e free surf; instrutores de surf; shapers, pintores, laminadores que são artesões na confecção de pranchas de surf em geral; árbitros de surf e auxiliares; mídia especializada, fotógrafos e vídeo makers; indústria e lojistas surfwear; e demais segmentos do surf correlatos e afins. Que cada um de nós faça bem e cada vez melhor a nossa parte. Viva Medina, viva o Surf! Quanto Mais Surf Mais Surf! Alma surf, vida surf real. É esse o tempero. Campeão Mundial. Levo Fé.. Aloha!

  7. Fabiano Sperotto

    29 de setembro de 2014 at 21:38

    Muito importante esse tema ser debatido e principalmente por estar sendo colocado nesse momento, quando o Brasil nunca esteve tão próximo de ter um campeão mundial.

  8. arnaldo

    30 de setembro de 2014 at 11:17

    Várias pessoas e associações continuam trabalhando normalmente na base . Quanto a um circuito profissional ….só se modificar a estrutura da Abrasp …..os surfistas representantes fizeram estragos irreparáveis ! Uma nova idéia deve surgir e começar aos poucos pra retomar o caminho ! Quem vai fazer isso ? tem que ter peso !

    abçs !

  9. Lucas Fontes

    30 de setembro de 2014 at 11:52

    Muito pertinente o artigo. Parabéns Dadá pelo texto e pelas palavras acrescidas de uma pitada de indignação. Que nosso esporte consiga evoluir de maneira coerente e continue nos dando alegrias. Que o pensamento hipócrita seja deixado de lado, e as diferenças sejam respeitadas dentro e fora d’água. A união faz a força

  10. Sergio Gadelha

    2 de outubro de 2014 at 13:11

    Importante matéria jornalística. Espero que as outras mídias também assim o façam. Precisamos de um rumo. Tem gente que fica se valendo de um Medina, de um Toledo para angariar reconhecimento que não lhes pertencem…o mérito destes surfistas é todo deles próprios e de suas famílias. Parabéns Diniz Iozzi…

    • adriano camargo

      3 de outubro de 2014 at 16:52

      Boaaaa

  11. Ricardo Luz

    4 de outubro de 2014 at 10:11

    Parabéns Dadá Souza pela bela matéria e parabéns também ao surfonline pela publicação, a comunidade do surf agradece. O que realmente nos deixa tristes é a individualidade, o egoísmo e a ambição de alguns dirigentes, que não pensam no surf de forma coletiva, deixando de exercer seu verdadeiro papel, o de gerir o desenvolvimento do esporte garantindo a continuidade de todo trabalho realizado na base do surf brasileiro e conseqüentemente um plano digno de carreira para nossos atletas.

    Na contramão, por capricho e motivos políticos que só convém a si próprios e suas equipes administrativas, ceifam não só toda uma geração de talentos que poderiam está nos dando mais orgulho e conquistando maiores vitórias pelo mundo afora, como também desgastam as engrenagens dificultando a sinergia de todos os envolvidos nas organizações.

    O Controle Social na comunidade do surf de competição, ou seja, a participação dos surfistas/atletas na fiscalização e aquisição de verbas públicas das entidades esportivas está garantido por Lei. Pois, com a alteração da Lei Pelé (Lei 9.615/1998), feita através da Medida Provisória 620 (promulgada pela presidente Dilma e está na Lei 12.868/2013), que restringe as reeleições, obriga transparência e garante à representação de atletas nas entidades que recebam, direta ou indiretamente, dinheiro público e, deste modo, a nova lei impõe maior transparência nos comandos das entidades esportivas brasileiras.

    A Presidenta Dilma enfatizou na cerimônia do Marco Regulatório das Organizações da Sociedade Civil na última quinta feira (31/07/2014), “Dar voz aos cidadãos, acolher suas demandas, permitir-lhes participar da construção e da implementação de políticas é o resultado fundamental de um processo democrático e, portanto, é um requisito também para o nosso processo de desenvolvimento inclusivo”. Portanto nesse contexto, tomando posse pra nossa realidade na CBS, nas Federações, Associações e Clubes, os associados são os atores decisivos e cabe aos dirigentes identificar nossos desejos, nossas demandas e construir alternativas melhores para nosso futuro, caso contrário é nosso direito e obrigação fazer cumprir o artigo 59 do Código Civil Brasileiro.

    Sim, agora, mais do que nunca, precisamos exercitar a nossa cidadania e cobrar por nossos direitos, para podermos juntos não mais sonhar e sim realizar sonhos antigos de profissionalização de verdade do surf no Brasil.

  12. Marcos Conde

    4 de outubro de 2014 at 13:43

    Prezado Dadá de Souza, gostaria de te parabenizar pela sua matéria e iniciativa em fazer uma reflexão sobre o que acontece hoje com o trabalho de base do surfe brasileiro.
    Contudo devo ressaltar que talvez a pesquisa sobre os fatos históricos de alguns depoimentos não são precisas.
    Primeiramente a Abrasa foi fundada em 1987 e o Perdigão foi o primeiro presidente.Segundo eu não criei a CBS. A fundação de uma Confederação faz parte da estrutura esportiva no Brasil e era o desejo de todos nós desde os tempos do CND, só que para isso era necessário ter 3 federações estaduais para fazer a fundação. Eu fui apenas a pessoa que liderou o processo de fundação e primeiro presidente, apesar da resistência de muitas Federações que ainda queriam manter a bagunça e a ilegalidade da ABRASA, que nunca chegou uma conta bancária. O estatuto da CBS foi baseado nos moldes da Confederação Brasileira de Volei e foi adaptado pelo professor André Richer que era uma das maiores autoridades no assunto no Brasil. Não concordo em dizer que para uma boa administração necessariamente se precisa de gestão profissional, apesar de achar que para um esporte se desenvolver é mais fácil uma gestão ou pelo menos uma visão profissional.Acho que com pessoas honestas e voluntárias que não precisem desta renda para viver se pode fazer um bom trabalho. Em relação aos problemas do surfe brasileiro no momento eles eram previsíveis uma vez que as federações estaduais passaram a ser alvo de interesses individuais. Ao fundar a CBS eu sabia que existia o risco de ela ser dominada pela ganância de alguns e que as Federações iriam ser as responsáveis e cúmplices da administração da entidade. As vezes fico pensando se fundamos um galinheiro para raposas tomar conta, mas quero crer que em longo prazo a comunidade surfística vai ver o que está acontecendo e que pessoas importantes e formadoras de opinião no surfe brasileiro vão deixar de apoiar e participar trabalhando em eventos fazendo vista grossa para o que está se passando. Espero um futuro melhor para o surfe brasileiro e que todo esforço que foi feito por várias pessoas nestes últimos 30 anos não tenha sido em vão.

    • dada

      4 de outubro de 2014 at 16:08

      Agradeço suas palavras Marcos Conde. Aliás, queria muito ouvi-las, por isso tentei contatar você antes de escrever a matéria. De qualquer maneira, agradeço a sua participação aqui. Também espero um futuro melhor para o surfe brasileiro. Rezemos e trabalhemos para isso. Abraço!

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