Surf Online

Mais compromisso e seriedade, por favor

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Por: Dadá Souza

Gabriel Medina campeão mundial do WCT em 2014, Filipe Toledo e Silvana Lima campeões mundiais no QS em 2014, Filipe Toledo e depois Adriano de Souza liderando o Championship Tour em 2015, Alejo Muniz liderando o Qualifying Series em 2015, brasileiros vencendo etapas importantes nos dois circuitos e dominando a cena do surf internacional. Com tantas vitórias e com tanto destaque de nossos surfistas, foi lógica e natural a aproximação das grandes mídias nacionais ao nosso esporte. Hoje nossos surfistas tem destaque nos maiores canais e jornais e muitos desss jornalistas querem mostrar que entendem do nosso esporte. O problema é que muitos desses canais, além de não entenderem nada sobre o surfe e suas particularidades, não estão sequer fazendo um bom trabalho jornalístico. Os erros são muitos e até grotescos. No grupo Mesa Surfocrática, criado no Facebook por pessoas envolvidas com o esporte, muito se tem publicado e discutido sobre esses erros que passaram a ser comuns depois que as grandes mídias passaram a “cobrir” nosso esporte.

Exemplos?

Primeiro foi a nota publicada no site do globoesporte.com sobre a etapa feminina realizada em Margaret River, Austrália, que dava a seguinte manchete: “Margaret Reiver desbanca Carissa e fatura a coroa na Austrália“. Uma chamada infeliz e sem qualquer rigor jornalístico, já que a norte-americana Courtney Conlogue havia vencido a havaiana Carissa Moore nas ondas de Margaret River. A matéria logo foi corrigida, mas alguém no Globoesporte.com não só errou feio, como inventou uma nova vencedora para a etapa e virou alvo de gozações e de reclamações na internet.

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Depois veio uma matéria com a Glenda Kozlowski sobre a vitória de Adriano de Souza, também em Margaret River, falando assim:

“Ano passado o surfista paulista Gabriel Medina se sagrou campeão mundial de surf né? E pelo jeito a porteira abriu. Das três primeiras etapas do mundial deste ano, duas foram vencidas por brasileiros. Na primeira, deu também paulista Filipe Toledo. Agora o brasuca que abocanhou uma etapa foi um mineiro, uai. Aliás, foi mineirinho sabe, o Adriano de Souza”.

Brincadeira ou falta de informação? A única certeza que ficou é que meio Brasil ficou achando que o surfista do Guarujá (SP), que tem o apelido de Mineirinho, era de fato um mineiro de Minas Gerais. logo a Glenda que tem algum envolvimento com as ondas (a apresentadora foi tetracampeã mundial de bodyboard e 5 vezes campeã brasileira da modalidade). Segue aqui o link da entrevista: http://globotv.globo.com/rede-globo/esporte-espetacular/v/pelo-mundial-de-surfe-adriano-de-souza-vence-terceira-etapa-em-margareth-river/4136581/

 

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Essa semana ainda tivemos a infeliz publicação do Jornal O Globo, na coluna do Anselmo Goes, que trazia a seguinte nota: Serginho Groisman tirou este autorretrato com o campeão Bruno Medina durante entrevista exclusiva que vai ao ar hoje, no “Altas Horas”

Bruno Medina? Não seria Gabriel Medina? Ou O Globo inventou um novo campeão?

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Um dos maiores problemas dessa popularização do surfe é que pessoas que não tem qualquer vivência ou experiência com o esporte, o estão divulgando para as grandes massas com erros absurdos e até grotescos. O que mais intriga é: em vez de chamarem as pessoas que já tem um envolvimento com o surfe, alguns canais da mídia estão preferindo colocar estagiários ou jornalistas desinteressados para escrever sobre o nosso esporte sem sequer checarem os fatos. Comprometimento com o esporte e seriedade nas notícias é o mínimo que se espera dessas mídias que se dizem arautos da verdade e portadoras das melhores informações. Curioso é que são justamente essas as mídias que vem sendo privilegiadas pela assessoria de imprensa da etapa brasileira do circuito mundial, enquanto alguns sites e blogs especializados são tratados como mídias de menor importância.

Se continuaremos a ver erros desse tipo na grande mídia? Muito provavelmente sim. Se continuaremos vendo os atletas compartilhando e dando destaque às matérias feitas por jornalistas não especializados? Lógico que sim, todos precisam da mídia para agradar seus patrocinadores. Mas para nós, surfistas, continua valendo a pena se informar nos veículos especializados, que pelo menos entendem do assunto e tem compromisso com o lado esportivo, com a cultura e com a história desse esporte.

1 comentário

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