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ESTAMOS NAS OLIMPÍADAS

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Nesta quarta-feira, 3 de agosto, o surf foi oficialmente confirmado nos Jogos Olímpicos do Japão, que acontecerão em 2020.  A decisão foi tomada após uma reunião do Comitê Olímpico Internacional (COI) no Rio de Janeiro e decidiu que também serão incluídos nos jogos o skate, o beiseball/softball, o caratê e a escalada. A votação foi transmitida ao vivo para todo o planeta e apesar de não ser uma inclusão definitiva (esses esportes serão observados em Tokyo e podem ou não continuar nas Olimpíadas), a notícia foi muito comemorada entre cartolas, atletas e também entre o público nas redes sociais.

O surf é um esporte global, praticado em mais de 100 países de todos os continentes, possui mais de 25 milhões de praticantes, um mercado bilionário e um alto impacto visual. Os números do surf são maiores do que muitos dos esportes olímpicos tradicionais. Mais do que um esporte, o surfe é um estilo de vida que seduz um número incrível de pessoas em todo o planeta. O desafio, a radicalidade, o inusitado, a beleza, a leveza, a vida saudável, tudo no surfe apaixona e seduz. Ao colocar o surf e o skate nas Olimpíadas, os jogos de Tóquio serão os mais ousados e inovadores da história. Pela primeira vez dois esportes antes tidos como rebeldes, pertencentes ao grupo dos esportes radicais, farão parte da maior disputa esportiva do planeta. Uma boa estratégia de renovação de imagem para os jogos Olímpicos, que vem perdendo o interesse das novas gerações. Uma grande oportunidade para os atletas, uma grande oportunidade para a organização do esporte e um grande passo das Olimpíadas rumo a modernidade.

A idéia do COI é que o surf leve aos jogos olímpicos um pouco da sua cultura. “ O surf vai trazer seus valores e estilo de vida saudáveis ​​fundamentais para esses países, além de proporcionar um crescimento econômico para os países em desenvolvimento através do turismo surf”, comentou Fernando Aguerre, presidente da ISA, no MagicSeaWeed.

A relação entre o Comitê Olímpico Internacional e o surf se dará através da ISA (International Surfing Association), entidade presidida pelo argentino Fernando Aguerre. Para que os melhores surfistas do planeta possam participar do evento, a ISA e a WSL (World Surf League) estão em diálogo e trabalhando em conjunto, mas decisões a respeito de formato, classificação, equipe técnica serão de responsabilidade da ISA. No Brasil o diálogo se dará através da Confederação Brasileira de Surf (CBS), entidade presidida pelo baiano Adalvo Argolo. 

Na luta para colocar o surf no rol dos esportes olímpicos desde 1994, quando assumiu a presidência da International Surfing Association (ISA), o argentino Fernando Aguerre foi incansável e já merece uma primeira medalha de ouro. Não só criou um ambiente olímpico nas competições da ISA, como foi um dedicado e articulado dirigente nas conversas com o COI e uma das figuras essenciais para essa inclusão do surf nos jogos olímpicos. Por sorte ou por destino, o Rio de Janeiro é uma cidade que sempre deu sorte a Fernando Aguerre. Foi na Cidade Maravilhosa onde ele criou a marca Reef Brazil (que depois virou a mundialmente conhecida Reef); Foi no Rio que ele foi eleito presidente da ISA; e ontem, também no Rio, Fernando Aguerre conseguiu o feito inédito de levar o esporte dos reis aos jogos olímpicos do Japão.

Apesar do “upgrade”, as opiniões no meio do surf são um pouco divididas. Tem os que comemoram, e tem quem torça o nariz. O que não faltam são argumentos e discussões acontecendo na internet.

O lado positivo do surf nas Olimpíadas é bem explícito:

Nas Olimpíadas o esporte ganha status e ganha reconhecimento, o que deve ser positivo para o surf como esporte competitivo.

Para os competidores, além de ser uma grande oportunidade enquanto atleta, é a realização de um sonho antigo: representar seu país e competir pelo ouro olímpico. E convenhamos, isso leva as disputas a um outro nível e a um novo patamar.

O fato de se cadastrar como esporte olímpico permite que o surfe possa receber investimentos do Ministério do Esporte e do Comitê Olímpico Brasileiro, o que seria promete ser uma ótima oportunidade para que o esporte possa criar uma base sólida.

Os melhores surfistas do mundo expostos a enorme audiência global das Olimpíadas é algo que todos os envolvidos com o surf desejam. Mlhões, talvez bilhões de televisões, computadores, tablets e celulares conectados ao esporte dos reis não será nada mal para o esporte e para o mercado.

Mas também são muitas as dúvidas e críticas:

A WSL, empresa que tem mais de 2 mil surfistas competindo em seus circuitos, tem em seus competidores alguns dos melhores surfistas do mundo e naturalmente está envolvida no processo. O presidente da World Surf League (WSL), Paul Speaker, já se pronunciou dizendo “A WSL é a casa dos melhores surfistas do mundo e está ansiosa em trabalhar com a ISA para garantir que o surfe seja apresentado da melhor maneira possível e pelos melhores surfistas do mundo. É admirável que os nossos incríveis atletas vão ter a oportunidade de mostrar seus talentos e habilidades representando seus países para a enorme audiência global das Olimpíadas”. (site waves). Ficou no ar a dúvida: continuará o surf a ser um clubinho fechado para uma meia dúzia? A WSL irá utilizar seus juízes? Que tipo de envolvimento a WSL, empresa privada, terá com a ISA? A escolha dos atletas será, de fato, mundial? Ainda são muitas as perguntas, mas as respostas não devem vir a curto prazo.

Já sabemos que a ideia é que 20 homens e 20 mulheres disputem o ouro olímpico no Japão, em 2020. Ainda não se sabe como serão definidos esses 40 nomes, nem se os jogos olímpicos acontecerão somente com os surfistas da WSL. O que sabemos é que o COI primeiro estabelecerá algumas normas e critérios que todos terão seguir e , segundo foi divulgado, a ISA e WSL, em conjunto, criarão um sistema de qualificação que permita que os melhores surfistas cheguem as olimpíadas e que garanta a participação de diferentes países e continentes, já que isso é um dos princípios fundamentais dos jogos Olímpicos.

Adaptar as competições de surfe para os jogos Olímpicos não será difícil, mas encaixar a janela do evento com o período de ondas no Japão pode ser um problema (caso a competição venha mesmo a acontecer nas ondas do oceano, como foi anunciado). Que tem boas ondas por lá a gente sabe. Se isso irá coincidir com as Olimpíadas? Torçamos que sim.

No caso do Brasil, as verbas do Ministério do Esporte e do Comitê Olímpico Brasileiro cairia nas mãos da Confederação Brasileira de Surf, entidade que tem sua gestão bastante criticada pela falta de eventos, de criatividade, de transparência e de comprometimento para com o esporte. E nesse sentido outra dúvida fica no ar: Será que essas verbas todas (se vierem) beneficiarão de fato os atletas ou serão os cartolas os grandes beneficiados? O consenso é que essa entidade precisa de planejamento, precisa de criatividade, precisa de muito mais transparência, de gestão esportiva e, acima de tudo, precisa de estrutura e de bons projetos para que nossos surfistas, de norte a sul, possam competir e se desenvolver como atletas.

Outra crítica bem contundente nas discussões pela web diz respeito ao crescimento e a popularização desse esporte e suas consequências nas praias. Se o crowd já é um problema bem constante na vida dos surfistas, existe um certo medo no ar de que a coisa possa piorar. Para quem não pega onda, essa parece uma discussão menor. Para quem surfa, esse é o cerne de toda a discussão.

Que o surf pode estar novamente mudando? Parece que sim. Se as mudanças serão positivas ou negativas? Só o tempo irá dizer, afinal esse é um caminho aparentemente sem volta. Independente das críticas e do que vem pela frente, o fato é que o surf deu um passo a frente e hoje está no patamar dos esportes olímpicos. A notícia é especialmente boa pois os surfistas brasileiros estão puxando o ritmo do circuito mundial e tem plenas condições de trazer a primeira medalha de ouro olímpica para o Brasil.

A propósito, se tem alguém na dúvida sobre quem deve acender a pira olímpica, segue aqui o nome de dois campeões mundiais justamente do mais novo esporte dos jogos olímpicos: Adriano de Souza e Gabriel Medina. Esses dois representam muito bem a nossa nação.

Por: Dadá Souza

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